Perícia da Polícia Científica utiliza técnicas de ponta para identificar causas de incêndios criminosos

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Após o incêndio que destruiu uma residência em Curitiba e deixou vítimas em uma tentativa de feminicídio e homicídio, equipes da Polícia Científica do Paraná (PCIPR) realizaram uma investigação detalhada no local em busca de respostas sobre a origem e a dinâmica do fogo. O trabalho técnico dos peritos foi decisivo para subsidiar as investigações e contribuir com a prisão do principal suspeito, detido dias depois na Bahia, em uma ação conjunta das forças de segurança.

Mesmo diante da destruição quase total provocada pelas chamas, os especialistas conseguiram reunir elementos significativos que indicam uma possível ação criminosa. Entre os achados, destacou-se a existência de dois focos distintos de queima, um forte indício técnico de incêndio intencional.

“Essa condição, por si só, já constitui um forte indício de ação humana intencional”, explica o perito oficial Daniel Larsen. “No primeiro cômodo, os fragmentos de vidro da janela apresentavam padrão de quebra incompatível com danos provocados pelo calor. O rompimento parece resultar de impacto mecânico, o que sugere violação de acesso ao interior do ambiente ou lançamento de algum material combustível”, complementa.

A investigação pericial busca identificar, entre os escombros, qualquer vestígio de substâncias que possam ter sido utilizadas para iniciar o incêndio. No entanto, segundo Larsen, encontrar amostras químicas viáveis é incomum. “Os líquidos inflamáveis mais usados, como etanol, gasolina ou querosene, são altamente voláteis e se consomem rapidamente nas primeiras fases da combustão”, explica.

Diante dessa limitação, o trabalho pericial se concentra na leitura minuciosa dos vestígios físicos ainda preservados. Padrões de queima, direção das chamas, áreas de colapso estrutural e pontos de maior carbonização são analisados para reconstruir o comportamento do fogo e identificar o ponto de origem, mesmo na ausência de resíduos químicos detectáveis.

O procedimento segue uma metodologia progressiva: os peritos delimitam a área de interesse e, gradualmente, reduzem o foco da análise até identificar o ponto inicial do fogo. A partir daí, são avaliadas hipóteses sobre as causas e a forma de propagação.

Com base nessas informações, o laudo técnico é elaborado e encaminhado à autoridade policial, oferecendo subsídios objetivos para determinar se houve crime, qual sua natureza e em que circunstâncias ocorreu.

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