Campeonato AmadorDestaqueEsportesGeralVideos

Repórter com deficiência visual tira de letra pautas do esporte amador

Bruno Leal está no segundo período do Curso de Jornalismo da Fatec-PR. Nos finais de semana, cobre os jogos de futebol Amador na Grande Curitiba

Bruno Leal esteve no Ecoestádio fazendo a cobertura da final do Campeonato Amador de Fazenda Rio Grande.

POR LÉO SOUZA

Não há dúvida que esta mensagem bíblica “Buscai e achareis” – em Lucas 11:9, Antigo Testamento da Bíblia Sagrada – inspira muita gente em diversos segmentos da sociedade. Entre tantos seres humanos, um que se enquadra bem neste contexto é o paranaense Bruno Leal, 19 anos, estudante de Comunicação Social. Ele está no segundo período do Curso de Jornalismo na Faculdade de Tecnologia de Curitiba (Fatec-PR).

Bruno é cego de nascença. Mesmo assim, não deixou de ir atrás de seus sonhos. Apesar da deficiência visual, Bruno resolveu encarar o desafio de ser jornalista. E já está na ativa na produção de textos jornalísticos para a Rádio Cultura e, em breve, pode escrever para o site da Rádio Capital Sul FM, emissora especialista em coberturas de campeonatos amadores.

Em 2016, quando Bruno estava no segundo ano do Ensino Médio, foi considerado por ele, um ano bem interessante no esporte. Ele sempre gostou de esporte e em 2016, aconteceram coisas muito estranhas, segundo Bruno, como o título e a conquista do Leicester na Premier League, a Eurocopa emocionante conquistada por Portugal. “Então eu pensei que seria interessante se eu tivesse a oportunidade de informar as outras pessoas também. Eu admirava as pessoas que traziam aquelas informações pra mim. Pensei que seria uma grande chance de trabalhar neste meio trazendo, informação e transmitindo os jogos”, contou.

O primeiro passo para levar adiante o seu objetivo, foi realizar pesquisas as sobre a área. Além do esporte, ele também desejava trabalhar em outros campos do jornalismo. Com o apoio dos familiares, entrou na Fatec. Daí veio o acesso ao mercado de trabalho. Desde maio ele integra a equipe de jornalismo da Rádio Cultura, onde começou escrevendo os textos. “Foi por meio do Gabriel, um amigo meu que está lá na Rádio, que me indicou. Como a equipe foi desfeita, havia a necessidade de aumentar os textos”, detalhou.

Bruno redigia o noticiário em casa. Somente em julho deste ano visitou as dependências da emissora. O contato com os demais profissionais aflorou a ideia de mergulhar a fundo no trabalho, porque para ele já não adiantava escrever os textos somente em casa. “Eu optei por cobrir algo in loco, que não necessitasse diretamente da visualização e fosse importante para as pessoas. E nada melhor que o esporte amador, que já tem uma ampla cobertura pela imprensa alternativa. Eu entraria para aprender com as pessoas mais experientes e que já estão aqui”, revelou.

Embora domine o braile (sistema de escrita e leitura para deficientes), Bruno utiliza muito pouco braile, pois prefere o recurso do computador. Ao participar pela primeira vez de uma cobertura esportiva amadora, Bruno constatou que estava no caminho certo. O próximo passo é integrar uma equipe em transmissão ao vivo de um jogo. “Eu só escrevo para o site e espero levar esse trabalho também para o rádio ao vivo. É muito legal e diferente esse ambiente do esporte amador”, comparou.

CHEGADA À EQUIPE ESPORTIVA DA RÁDIO CAPITAL SUL FM

Bruno (camisa vermelha) com a equipe da Rádio Capital Sul na cabine do Ecoestádio

Já no meio esportivo, aos poucos Bruno foi conhecendo os profissionais da área e assim chegou à Rádio Capital Sul. “Eu conheci o Anselmo Guedes no jogo Novo Mundo e Vila Sandra. Ele descrevia os lances para mim, pois eu iria escrever o texto do jogo. Na outra partida, eu conheci o Osmar Correia, e ele me indicou para o Chicora (Marco Aurélio Chicora Júnior), que me adicionou ao grupo que cobre a super banda. Eles estão me ensinando e eu estou aprendendo bastante”, reconheceu.

Quem entra no meio, sempre se espelha em um grande profissional. A inspiração de Bruno Leal não é específica a um cronista esportivo. Como sempre acompanhou os trabalhos dos profissionais do rádio paranaense, enumera vários cronistas pelos quais tem admiração. “O Edílson de Souza é um monstro, ouvia muito quando era da rádio Transamérica. Está na Rádio Cidade e não o tenho acompanhado ultimamente. Tem ainda o Moura Júnior, Marcelo Ortiz que são muito bons. Como comentarista, admiro o Fernando Gomes e o Guilherme de Paula, que são muito bons também”, elogiou.

Por causa da deficiência visual muitos o comparam ao jornalista Henry Xavier, o único deficiente visual que atuou como plantão esportivo no rádio brasileiro, que teve passagens pela Rádio Banda B de Curitiba. “Não nego que ele seja uma inspiração. Por isso, eu respeito o trabalho dele. É também uma referência para mim”, admitiu.

Imagens: Gil Pereira

Tags
Continuar lendo

Artigos Relacionados

Skip to content