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O sábio tira proveito até da desgraça

Costumo ler alguma coisa sobre filosofia oriental, alguns bons ensinamento não diretamente ligados a religião, não misturo as coisas, mas existe muita coisa útil e de grande sabedoria nos escritos orientais. Uma das frases que jamais esqueço dizia que “até da desgraça devemos aprender a tirar proveito” e é verdade, na pior das hipóteses, em uma desgraça nos tornamos mais experientes e aprendemos não só a resistir mas também a precaver contra novos problemas. Estamos passando mais uma página vexatória na história do Brasil com essa bagunça das carnes adulteradas, contaminadas, podres, seja lá o que for. O Brasil está vendo um dos seus mais fortes segmentos ir em direção à bancarrota, perdendo contratos, deixando de movimentar alguns milhões de reais o que vai gerar mais um impacto sem precedentes na economia, afinal se os grandes frigoríficos quebrarem, gera desemprego, que diminui o consumo, que quebra a lojinha, o mercado, o posto de gasolina, a farmácia e ainda cai a arrecadação do governo que está no vermelho faz muito tempo. O resumo é que gera o efeito cascata.

No meio dessa “desgraceira” e credibilidade da carne processada pelas grandes indústrias está em baixa, e desgraça de uns, chance de crescimento de outros. Acaba de abrir uma porta para aquele grupo que até então estava sufocado pelos grandes se agilizar e ganhar seu espaço, esse grupo se chama colonos. O pequeno e médio produtor que cria seu frango, seu porco, seus boizinhos não conseguiam colocar seus produtos no mercado por causa das exigências sanitárias. Um pernil de porco para chegar ao mercado precisava ter mais certificados que o Lula (se bem que se tiver dois já tem mais certificados que ele), selos de qualidade, de inspeção, vistoria até chegar ao consumidor. Essa burocracia que provou ser inútil impede que o colono, o pequeno produtor consiga colocar seu produto em uma feira ou varejo, no entanto acaba de abrir uma porta para se os pequenos “subam na mesa” e venham a pleitear seu espaço. Não pode haver dois pesos e duas medidas, se há fiscalização para os pequenos, para os grandes deve haver tanta quanto ou mais, e se não está sendo eficiente para os grandes, por que para os pequenos está? Além de valorizar o produto do pequeno pela escassez natural, se houver uma organização, ser apresentado um projeto viável para inserir os pequenos no mercado de forma segura e legal há muito espaço para ser conquistado.

Nesse momento entra o papel das entidades representativas de classe, das cooperativas, dos órgãos competentes em manifestar apoio e ver se realmente esses órgãos estão aptos assumir sua real finalidade, se impor apresentando um projeto e pleiteando algo real, afinal de contas alguns desses órgãos perderam seu sentido e eficiência e acabaram virando meros grupos de manifestações políticas enquanto as classes que eles representam perecem sem apoio, sem estrutura e voz de representação. O governo está em uma fase que precisa ganhar a simpatia, o mais “queixo duro” dos governos precisa dos grupos a esse é o momento de conseguir os benefícios, se não gosta do governo tudo bem, eu também não gosto, mas ao invés de criar embate é hora de olhar pela classe que representa, sentar-se à mesa e partir para negociação deixando de lado o interesse político e a antipatia, isso não é compactuar com o governo, isso é exercer função para a qual foi criado. Mais de 50% dos pleitos para tentar recuperar prejuízos das classes não precisaria acontecer no sentido de recuperar se tivesse havido eficiência diplomática e segurança jurídica nas negociações não deixando acontecer os problemas. Obviamente não podemos generalizar como nunca fazemos, mas como pessoa tenho contatos com entidades sérias que apresentam projetos, brigam por representação da classe, negociam valores, apresentam propostas e projetos inteligentes, tudo em caráter preventivo, como também tenho contato com amigos de entidades de classe que nada mais fazem do que estar encostados em um salário com partido político trás. Essa regra vale para muitas entidades que tem aquela tropa que faz dela balcão de negócios políticos e enriquecimento de alguns. Agora a palavra é estratégia, sabedoria e jogo de cintura, fecham-se portas e abrem janelas, a questão é estar preparados para enxergar a luz e fazer bom proveito delas.

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