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O Caminho do Colono – Parte Final

Por Rubens Recalcatti*

Na semana passada, fiz alguns comentários sobre a polêmica reabertura da estrada Caminho do Colono, entre Capanema e Serranópolis do Iguaçu, que foi fechada em 1986 por ordem judicial. Concluo o tema com este artigo, tratando do valor histórico da passagem entre o Sudoeste e o Oeste paranaenses que atravessa o Parque Nacional do Iguaçu.

 

Uma das alegações do Ministério Público e ambientalistas para o bloqueio da estrada é que teria sido construída depois da criação do Parque, em 1939, inicialmente com apenas 3 mil hectares – em 1949, novo ato ampliaria a área para os atuais 185 mil hectares.

 

De acordo com esse argumento, a estrada foi aberta posteriormente apenas com a finalidade de ligar as cidades de Capanema e Serranópolis para o desenvolvimento econômico da região. A História, porém, desmente essa versão que teria convencido as autoridades judiciais.

 

O Caminho de Peabiru, que incluiria o Caminho do Colono, fez parte dos relatos de 1543 do principal desbravador do Oeste paranaense, Cabeza de Vaca. Entre 1620 e 1630, a trilha foi utilizada pelos padres jesuítas e índios guaranis que rumavam para as Missões, no Rio Grande do Sul.

 

Nos anos de 1920, ganhou características de estrada dando passagem a carroças e tropas. O Caminho do Colono também foi utilizado, em março de 1925, pelos 800 soldados que compunham a Coluna Prestes, de Luiz Carlos Prestes.

 

Nos anos de 1930, a extração da erva-mate consolidou a ligação entre as regiões Sudoeste e Oeste do Paraná. A tese de que o Caminho do Colono não possui valor histórico, portanto, é completamente infundada. Ao contrário, esses registros fortalecem o conceito de uso ecoturístico da região.

 

O fechamento do Caminho do Colono foi traumático para os moradores das cidades ao Sul da área de preservação. Dois grandes conflitos ocorreram entre forças de segurança nacionais e a população que estava inconformada e reabriu a estrada à força em duas ocasiões: de 1997 a 2001 e durante cinco dias em 2003. Desde então, a população convive com o fechamento.

 

Familiares que moram nos lados opostos do Parque deixaram de se ver com frequência, o comércio entre as duas regiões caiu a zero e a economia das cidades daquela parte do Sudoeste desacelerou drasticamente. Antes do fechamento, Capanema possuía população de quase 35 mil habitantes. Hoje, são cerca de 19 mil.

 

O impacto social do fechamento da estrada foi extremamente negativo e comprometedor. Por isso, a Frente Parlamentar em Defesa da Reabertura do Caminho do Colono se une aos moradores da região para viabilizar um modelo de estrada parque que resgate a ligação histórica e, ao mesmo tempo, possibilite a conservação daquele rico pedaço de Mata Atlântica.

 

*Rubens Recalcatti é Deputado Estadual pelo PSD

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