29 mil crianças sofrem com falta de merenda em São José dos Pinhais

 29 mil crianças sofrem com falta de merenda em São José dos Pinhais
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Secretário de Educação chegou a ser exonerado do cargo porque as aulas precisaram ser suspensas.

Cerca 29 mil crianças, estudantes da rede pública de ensino de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, tiveram as aulas suspensas devido a falta de merenda que começou na sexta-feira dia primeiro e tem como previsão de retorno, segundo a prefeitura, esta quinta-feira (7).

O problema aconteceu quando a empresa responsável, por meio de nota, apenas informou que durante a implantação do serviço houve um problema pontual. Tão pontual, que a gente vai “pontuar” o grande prejuízo que esse problema causou.

Falta de merenda em São José dos Pinhais causa muitos transtornos

Primeiro problema e o mais importante: As crianças.

A gente sabe que grande parte dos alunos vão para a escola não somente pelo aprendizado, mas principalmente pelas refeições, fato.

O que isso gera?

Preocupação dos que deixam o filho na escola e vão trabalhar, e de repente recebem uma ligação com pedido de ir buscar o filho no colégio porque ele está sem comer desde cedo.

Outro problema,

A responsabilidade que os educadores tem com essas crianças, de tentar fazê-las entender que não tem merenda e que infelizmente vão ter que voltar para casa sem comer nada, já que muitos contam com a merenda como principal refeição do seu dia.

Tem o caso dos educadores que provavelmente não terão seu dinheiro de volta.

Houveram relatos que as “tias dos colégios”, professoras, merendeiras, diretoras, etc. Tiraram dinheiro do próprio bolso para comprar lanche para as crianças.

E não para por aí.

De sexta-feira (1) até ontem, a empresa responsável conseguiu abastecer apenas algumas poucas escolas e quando chegaram para realizar a entrega, ainda assim estavam atrasados.

Agora a gente vai para o “problema atrás do problema”.

Entenda o motivo da falta de merenda em São José dos Pinhais

O SINSEP que é o sindicato dos servidores públicos municipais de são josé dos pinhais protocolou um ofício à Promotoria do Ministério Público, ao Conselho de Alimentação Escolar (CAE) e aos vereadores do município.

Após este ofício, é que algumas situações começaram a aparecer para explicar o motivo de uma coisa que não tem motivo e você vai entender porque não tem motivo.

Primeiro a Prefeitura de São José dos Pinhais se pronunciou informando que assim que soube do atraso das refeições já se prontificou a auxiliar a empresa a regularizar o fornecimento.

Por sua vez, como eu falei anteriormente, a empresa alegou um problema pontual.

Essa terceirizada da prefeitura em questão, Objetiva Alimentação e Facilities, é São Paulo e substitui uma empresa curitibana.

Segundo informações,

O contrato com a empresa, supera o valor de R$ 24 milhões para prestação de serviço por 105 dias letivos, mas a contratação foi feita de forma emergencial e sem necessidade de licitação.

Mediante a situação, desta vez quem se pronunciou foi o Sindicato das Empresas de Refeições Coletivas e Alimentação Escolar do Paraná (Sercorpar) que apresentou uma denúncia questionando por que o contrato das duas empresas que prestavam o serviço anteriormente não foram prorrogados.

Uma vez que o ano letivo termina já no próximo dia 20.

A prefeitura respondeu, por meio de nota

Prefeitura de São José dos Pinhais afirmou que “os contratos das antigas empresas tinham vigência até a data de ontem (30/11) e não eram passíveis de nenhuma espécie de renovação ou prorrogação”.

Mas ainda assim, de acordo com os sindicatos, os documentos entregues não apresentam nenhuma justificativa emergencial e que ainda assim, as empresas que prestavam o serviço anteriormente não foram consultadas se poderiam continuar com o fornecimento da merenda por um valor um pouco mais acessível.

O problema por trás do problema? Não havia caráter emergencial que justificasse a contratação da empresa.

Falta de merenda resulta em exoneração de cargo do Secretário da Educação

Em decorrência desses acontecimentos, as crianças continuaram com fome e o secretário de Educação de São José dos Pinhais, Aldrian Matoso, foi exonerado do seu cargo.

Paralelamente, a Câmara Municipal de São José dos Pinhais instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a falta de merenda em São José dos Pinhais. O grupo será composto por cinco vereadores.

Após a assinatura para o início da CPI, a sessão plenária foi suspensa como forma de repúdio, segundo comunicado do Poder Legislativo.

Foto: Câmara Municipal de São José dos Pinhais

O Ministério Público do Paraná expediu, ainda nesta terça-feira, uma recomendação administrativa para que o município reestabeleça imediatamente o fornecimento de merenda escolar.

O sindicato Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José dos Pinhais  acionou o Ministério Público e o Conselho Municipal de Educação para que sejam tomadas providências e que cancelasse o vínculo com a empresa objetiva.

Na quarta-feira ainda há falta de merenda?

Ao todo, 104 unidades de ensino da rede municipal de São José dos Pinhais, sendo 60 escolas e 44 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI’s), estão sem aula.

A objetiva se pronunciou mais uma vez por meio de nota, explicando que não estava pronta para assumir a responsabilidade de fornecimento da merenda escolar em caráter emergencial em uma transição de contrato com curto espaço de tempo.

E nesse curto espaço de tempo, quem sofre com isso são os profissionais da educação, os pais, as crianças.

E hoje, quinta-feira (7), parece que os responsáveis irão conseguir cumprir a medida estabelecida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) que havia expedido, na terça (05), uma recomendação administrativa para que o município reestabelecesse o fornecimento de merenda escolar em até 24 horas.

Sendo assim, a resolução para toda essa confusão foi que de um total de 104 CMEI’s, 44 serão atendidos pela empresa objetiva e os outros 60 pela Risotolândia que era uma das antigas fornecedoras.

Por Marcos Gessinger

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