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Travesti de Fazenda Rio Grande fala sobre a vida na noite

“Se vocês pensam que aqui sofre, tão errados. A gente é mais feliz que muita gente”. Dani é uma das principais responsáveis pelo ponto de prostituição na Avenida César Carelli, em Fazenda Rio Grande. Ela está na profissão há 8 anos e, para ela, é um grande diversão. Graças ao emprego, ela conquistou marido, casa, carro, formação acadêmica e tudo o que tem. Durante o dia, também trabalha em uma Ong. Diferente de muitos casos que são mostrados nos noticiários, ninguém a obrigou a estar ali, ela está por vontade própria.

A maioria das pessoas, quando pensa a respeito, tem duas linhas de pensamento. A primeira é o preconceito. Fator que causa o assassinato de uma pessoa trans a cada 48 horas no Brasil (Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais). A outra linha de pensamento é justamente de que essas pessoas sofrem o tempo todo. Nossa equipe de redação foi surpreendida ao ouvir justamente o contrário: as garotas de programa de Fazenda Rio Grande gostam do que fazem.

 

O preconceito é inevitável. Mas isso não é fator determinante para elas. Autoestima é palavra de ordem e elas também sabem se defender. “Discriminação tem. Mas alguém vai vir aqui tirar a gente e pagar meu aluguel, me dar água, comida? Discriminar é fácil, né?”, comenta Dani.

A opção pela prostituição deve-se em especial ao rendimento, que é alto. Por mês, elas costumam faturar em torno de R$ 4 a 5 mil. Cada programa custa no mínimo R$ 80 por hora. Para casais, o valor é de R$ 350. Mas há clientes que, sozinhos, chegam a pagar R$ 6 mil em uma noite.

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Assim como tem aqueles que se negam a pagar pelo programa. O que não é problema, porque elas afirmam saber se defender. O mesmo vale para violência: “Eu saio de casa com esse pensamento: ou a minha mãe chora, ou a mãe dos outros chora. Porque morrer à toa eu não vou”.

O ponto de prostituição onde elas ficam, hoje localizado em frente à loja Magazine Luiza, começou na BR-116. Anos depois, elas se mudaram para a área em frente à loja Ponto Certo, depois para o Shopping Topical e para a Unimed, até se fixarem onde estão hoje. Algumas, estão na vida há quase 20 anos.

“Aqui a gente se diverte, a gente bebe, tem os homens que a gente imagina. Aqui é tudo pra mim”, afirma Dani. Mas elas não se limitam a isso na vida. “Eu falo pras bicha: ‘estudem, que a única coisa que vocês têm na vida é o estudo’. Porque todo dia nasce uma pessoa no mundo, e vai saber o que vai ser aquela criança. Se vai ser gay ou não. Então tudo é projeto de vida. Estuda primeiro”.

Por: Dayanne Wozhiak

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