Tijucas do Sul: uma cidade que tem histórias pra contar

No próximo dia 14 de novembro, Tijucas do Sul completa mais um aniversário de emancipação de São José dos Pinhais. E o que muitos não sabem, é que a pequena cidade guarda, em sua memória, acontecimentos que marcaram o país e são contados até hoje nos livros de História.
Por volta de 1894, por exemplo, Tijucas do Sul foi ponto de parada na Revolução Federalista, a guerra civil que ocorreu no sul do Brasil logo após a Proclamação da República. O grupo opositor (federalistas) queria libertar o Rio Grande do Sul da governança de Júlio de Castilhos, então presidente do Estado, além de conquistar maior autonomia e descentralizar o poder da recém-proclamada República.

Veja aqui a nossa homenagem a Tijucas do sul

Nesse vai e vem de soldados, entre Rio Grande do Sul e Paraná, a cidade, assim como também a Lapa, foi usada como ponto estratégico e de descanso das tropas. Invadido por Gumercindo Saraiva, o município acabou sendo cenário de disputas sangrentas.
Na defesa de Tijucas do Sul, estava um membro da família Leprevost, que comandou a luta contra as tropas do invasor. Segundo o vereador Claudemir Pereira da Rocha, autor do livro “Campestre, um lugar que tem história”, acredita-se que o município foi um dos primeiros a ser invadido. Após um grande conflito, o comandante Leprevost foi ferido e encaminhado à uma casa de recuperação no povoado, que hoje é Tijucas do Sul.
“O Gumercindo ordenou que os soldados voltassem e dessem fim [ao Leprevost], se não ele poderia incomodá-los no futuro. Dois ou três soldados da tropa do Gumercindo voltaram, verificaram qual era a cidade, a casa que ele estava sendo tratado. Bateram na janela do quarto e quando a enfermeira abriu, eles fuzilaram o comandante”, destaca Claudemir.

 

Participação na 2ª Guerra

Outro combatente tijucano importante, foi o pracinha Ermínio Cardoso. Filho de Tibúrcio e Ana, ele cresceu andando, brincando, pescando, assim como qualquer menino, e tornou-se comerciante, mais tarde, em São José dos Pinhais.
Convocado para a 2ª Guerra Mundial como expedicionário, Ermínio deixou seu lar em 1944, e acabou não voltando mais. “Infelizmente, nos campos da Itália, ele acabou falecendo. Pra nós, Tijuquenses, é uma grande honra ter um herói como Ermínio Cardoso”, lembra o vereador Claudemir.
O combatente recebeu duas medalhas, foi cremado e parte de suas cinzas foram trazidas para o Brasil, outra parte ficou na Itália, precisamente no cemitério de Pistoia. Em sua homenagem, o local onde as cinzas foram depositadas, na Praça Centra de Tijucas do Sul, foi construído um monumento de pedras. A escola de Campestre também carrega o nome do bravo guerreiro.
Responsável por extensas pesquisas que deram origem ao livro “Campestre, um lugar que tem história”, o vereador e professor Claudemir conta todos os detalhes de guerra em sua obra. Entre os muitos episódios que fazem de Tijucas do Sul uma cidade importante para o estado, ele acredita que esses estão entre os maiores.

Por: Dayanne Wozhiak