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Supermercados disparam concorrência em Fazenda Rio Grande

Chegada do Max Atacadista na cidade fez outras redes se preocuparem com a concorrência e quem sai ganhando é o consumidor

 

“O homem razoável se adapta ao mundo; o irracional tenta adaptar o mundo a si mesmo. Ou seja, todo progresso depende de um homem irracional”. A frase do jornalista irlandês George Bernard Shaw enfatiza a ideia de que é preciso fazer o diferente para continuar avançando. No entanto, aquele que aparece fazendo algo fora do padrão nem sempre é visto com bons olhos, mas isso é necessário especialmente para o progresso do mercado e quando os resultados aparecem não restam dúvidas. São esses tipos de ações que alimentam a concorrência e, desde que ela seja justa, é sempre bem-vinda, pois beneficia principalmente os consumidores.

Com a chegada da rede Max Atacadista, bandeira de atacarejo do Grupo Muffato, em Fazenda Rio Grande, boa parte dos comerciantes na área de supermercados ficou de ‘antena ligada’, dando início a uma disputa saudável por preços e conquista de novos clientes. No dia seguinte à inauguração do mercado, a rede Condor anexou um cartaz em frente ao empreendimento anunciando que cobriria qualquer oferta anunciada pela rede recém chegada. Com a disputa acirrada entre essas duas grandes empresas, entra em questão qual será o impacto para os tradicionais mercados da cidade. O jornal O Repórter conversou com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Fazenda Rio Grande (AcinFaz), Gastão Fabiano Gonchorovski, para saber qual a posição da entidade em relação à essa nova ‘guerra comercial’ no município.

Apesar do tradicionalismo, os esforços do Supermercado Boza para manter a fidelidade dos consumidores são contínuos

Segundo Gastão, tudo isso é visto com bons olhos, afinal qualquer estímulo no mercado de capital que gera concorrência é benéfico. “Primeiramente traz vantagens para o consumidor, que acaba tendo uma economia direta no seu consumo. Além disso, o empresariado acaba se aperfeiçoalizando, melhorando seus processos internos, otimizando seus recursos e capacitando melhor seus funcionários”, justifica, explicando que o empresário também tem que levar a pressão pela melhoria dos preços às negociações com seus fornecedores.

Ainda de acordo com o presidente da AcinFaz, esse processo, que ocorre em cadeia, melhora todo o ambiente de consumo e produção. “O mercado se beneficia como um todo porque essa concorrência estimula uma venda maior e, com isso, acaba gerando novas oportunidades de trabalho que, por consequência, geram mais receita para o mercado, que acabam retornando por meio dos impostos para o poder público que, por fim, tem que devolver isso para a comunidade”, detalha.

Para o prefeito de Fazenda Rio Grande, Marcio Wosniack, a vinda de empreendimentos de grande porte não prejudica os pequenos comerciantes da cidade. “Também sou comerciante em Fazenda Rio Grande há mais de 20 anos e todo dia vejo um concorrente novo na área da alimentação, mas sempre consegui inovar para despertar o interesse o meu cliente e fidelizá-lo”, comenta, considerando que a vinda do Grupo Muffato deixou todo mundo com ainda mais vontade de fazer o melhor atendimento para manter seus clientes. “Quem está ganhando é o povo, que vai ter lugares bons com preços melhores, além de mais opções para comprar na cidade”, acrescenta.

Marcio também acredita que a arrecadação do município vai melhorar muito. “Quem comprava no Max Atacadista em Curitiba ou outra cidade da região, deixava seu imposto lá. Agora vai poder comprar com uma nota fiscal emitida aqui em Fazenda Rio Grande, ajudando a entrar recursos para prefeitura a atender melhor as políticas públicas, efetuando contratação de mais médicos e servidores”, exemplifica.

Com mais de 30 anos no mercado, o proprietário de uma das redes mais tradicionais de Fazenda Rio Grande, Joraci Boza, afirma que não está preocupado com a chegada de novos concorrentes, pois já fidelizou seus clientes. No entanto, ele explica que os esforços para manter tal fidelidade são contínuos. “Sempre desenvolvemos sistemas de desconto e novos serviços, além de reformar as lojas e trazer equipamentos novos”, exemplifica, acrescentando que a qualificação da mão de obra da panificação e confeitaria do Supermercado Boza é padronizada. “Graças à boa qualidade do serviço prestado, os produtos são bem aceitos e não temos reclamações. É esse tipo de coisa que traz o cliente de volta para o Boza”, complementa.

Joraci acredita tanto no potencial de seus negócios em Fazenda Rio Grande que acabou de comprar o Mercado da Neuza, localizado a cerca de 500 metros do Max Atacadista, para montar sua quinta unidade no município. Atualmente, a rede Boza emprega mais de 400 pessoas, mas quando a nova loja for inaugurada, daqui aproximadamente seis meses, o número será ainda maior, pois vai gerar cerca de 80 empregos diretos.

Também há outras redes locais apostando na cidade, como o Supermercado Recanto, que estuda a abertura de uma quinta loja, no bairro Nações. “Ainda não está nada certo, estamos planejando nossas estratégias e avaliando a região, mas queremos ampliar nossa rede, principalmente porque enxergamos o crescimento de Fazenda Rio Grande”, pondera Araújo, o gerente geral do Supermercado Recanto, que possui cerca de 200 colaboradores atualmente.

Araújo considera que a chegada dos grandes concorrentes, como o Max Atacadista, afeta os negócios da empresa, mas explica que o Supermercado Recanto se preparou para minimizar os impactos. “Uma concorrência como essa afeta todos os mercados que atuam na região, mas antes do Max inaugurar já realizamos um estudo de mercado sobre os possíveis impactos e até nos planejamos para uma perda maior, mas ficamos surpresos com a fidelidade dos nossos clientes, o nosso percentual de queda em vendas foi quase irrelevante”, revela, acrescentando que as ações para fidelização dos clientes são vastas.

Segundo Araújo, o Supermercado Recanto tem investido forte em um atendimento de qualidade, seja nos caixas, nas padarias ou nos açougues, para que o cliente se sinta acolhido em qualquer tipo de compra. “Outra coisa que a gente não abre mão é a qualidade. Preferimos produção própria de pão, não congelamos a massa, é tudo sempre fresquinho. No açougue, não gostamos de trabalhar com produtos embalados a vácuo, damos uma maior praticidade e confiança para o consumidor ao ofertar a carne fresquinha e de qualidade. Tudo isso sempre dentro de um atendimento cordial e prestativo”, pontua.

Supermercado Recanto fez estudo de mercado e se preparou para o impacto da concorrência, mas se surpreendeu com fidelidade dos clientes
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