Tijucano de coração, Sergius Erdelyi foi um dos mais ilustres cidadãos que colaboraram para a construção do município

 

“Eu vim para Tijucas em 2013, e até então não conhecia nada. Aqui eu me deparei com esse espaço cultural e artístico que por si só já é encantador. E depois eu comecei a me aprofundar e a saber um pouco mais da história dele, tudo que ele fez para o município. Não só culturalmente, mas socialmente. Ele ajudou muito a comunidade”, lembra a professora e coordenadora de artes do município, Édina Suélem Telma Ribeiro, sobre um ícone de origem austríaca mas coração tijucano: Sergius Erdelyi (1919-2015)

Conhecido como artista de fim de semana, Sergius deixou para Tijucas do Sul e para o mundo todo, um legado que vai além do amplo acervo com pinturas, gravuras e esculturas. Nascido em Neusatz (parte do antigo Império Austro-Húngaro), ele chegou ao Brasil por volta de 1953, já formado em Engenharia Mecânica e com invenções como um aquecedor domiciliar em seu currículo. No Brasil, ele trabalhou em multinacionais e desembarcou em Tijucas do Sul por volta de 1974, quando iniciou o trabalho social.

Filantropo, Sergius ajudou na construção de casas para diversas famílias através do programa Minha Casa, Minha Vida; lutou em favor da preservação e plantio de árvores nativas; e se envolveu também em causas contra o aquecimento global. Também foi responsável pela construção do Lar da Criança, de sua própria instituição filantropa e arquitetou uma das maiores riquezas de Tijucas do Sul, que é o Espaço Municipal Sergius Erdelyi, onde funcionava a PUC do município.

O espaço, comprado pela prefeitura há dois anos, se divide em escola rural, secretaria de educação, sala de convenções e um museu, com todo o acervo do artista. E o complexo é todo arquitetado de uma forma especial: só vendo para entender.

“Acredito que aqui será muito mais visitado e conhecido por tantas obras, por todo o legado que ele deixou. Aqui tem esculturas que foram para a Copa do Mundo, tem a Ermida… São belíssimas obras que ele deixou”, afirma Édina.

A Ermida, citada por ela, é a construção do que seria a fachada de uma igreja, com pedras e vitrais desenhados por Sergius. Bem em frente à fachada, quatro bancos onde é possível sentar e conversar ou, mesmo, assistir a uma aula mais agradável, com uma paisagem natural e o som dos pássaros cantando. O local, batizado por Sergius como “A Grande Muralha” conta ainda com esculturas de bonecos bem em frente, que seriam “Os Guardiões do Templo”. Criativo, ele pensou em tudo.

A conquista do espaço

“Esse espaço foi por muito tempo da PUC, mas ele queria que ficasse para o município, que fosse cuidado pelo município e aos poucos estamos conseguindo isso. O município adquiriu todo esse espaço e o museu, ano que vem, acredito que seja reinaugurado”, destacou a professora.

O sonho foi realizado. Em 2015, o então prefeito José Altair Moreira, o Gringo, conseguiu a compra do espaço, dando uma entrada, cedida pela câmara municipal, e parcelando o restante. A compra foi efetivada porque se tratava do Gringo. A Pontifícia confiava em sua gestão e acreditava no trabalho que seria realizado.

Os vereadores da época, foram essenciais no processo. “A gente tinha um fundo para construção de uma sede própria. Todos os vereadores na ocasião foram favoráveis que a câmara cedesse o recurso da construção da sede, no valor de R$ 500 mil, ao prefeito, que na época era o Gringo, para que ele pudesse dar como entrada na aquisição da PUC. O restante foi parcelado e a contribuição do poder legislativo foi muito importante e tem sido sempre em prol do município de Tijucas do Sul”, lembra o vereador, na época presidente da câmara, Claudemir da Rocha.

Por: Dayanne Wozhiak