Moradores de Mandirituba reclamam da falta de obras na rodovia

Da redação

A BR-116 é a principal rodovia brasileira, sendo também a maior estrada totalmente pavimentada do país. É uma rodovia longitudinal que tem início na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará e término na cidade de Jaguarão, no estado do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. Corta Fazenda Rio Grande e até a divisa com Santa Catarina, são aproximadamente cem quilômetros de extensão. Este trecho é considerado um dos mais perigosos no Paraná, com acidentes acontecendo quase que diariamente, muitos com vítimas fatais. Diante do quadro, é denominada de Rodovia da Morte.

Nos últimos meses, muitas pessoas perderam a vida no trecho, sendo o mais recente no sábado, dia 26, quando o proprietário de um lava car de Mandirituba, Élcio Cosloski, 35 anos, acabou sendo vítima da rodovia. Um filho de 16 anos ficou ferido, mas sem risco de morte. Três dias antes, Paula Teixeira Alves, de 33 anos, morria ao atravessar a pista de carro na localidade de Areia Branca dos Assis. A população teme atravessar a estrada, de intenso movimento. “Além de Polaco, Paula, Gabriel, Sebastião, Fernando Oliveira, Maria, José, Amanda, Rogério, além de outras centenas de vítimas da rodovia, mais pessoas devem morrer nesta perigosa estrada. A sinalização viária deve ser melhorada, trincheiras, passarelas e pistas marginais devem ser construídas. As famílias que moram no entorno da BR merecem respeito”, comentou João Maria, que viu Paula morrer. Ele estava em um ponto de ônibus e viu toda a cena.

Moradores de Mandirituba e de cidades do entorno da BR-116, colocam a culpa na Autopista Planalto Sul pela série de acidentes acontecidos no trecho entre Curitiba e Rio Negro. Na região de Mandirituba, já existem projetos para construções de uma trincheira e de pistas marginais, mas tais obras não saem do papel. O vereador Fernando Teixeira lembra que a trincheira está projetada para ser construída no principal acesso de Mandirituba e as pistas marginais no trecho que corta o município. “Já aconteceram audiências no Ministério dos Transportes, com diretores da concessionária que cobra pedágio desde 2009, mas só ouvimos dizer que vai sair. Mas quando? Tais obras são necessárias e emergenciais, mas não adianta ficar prometendo. O trânsito é grande aqui no trecho de Mandirituba, então a empresa tem que iniciar os projetos, pois em contrário outras vidas serão ceifadas”, reclama Fernando, que alguns anos atrás, perdeu pai e mãe num acidente perto da ponte sobre o Rio Iguaçu.

Ainda de acordo com Fernando, no dia 25 de julho último, na sede da prefeitura da Fazenda Rio Grande, aconteceu uma reunião com o diretor da Autopista Planalto Sul.  Com as presenças do prefeito Márcio Wozniack, Luis Antonio de Mandirituba Luis Antonio, deputado federal Toninho Wandscheer e cinco vereadores de Mandirituba, o representante da empresa sugeriu que os municípios realizem audiências públicas e apontem as prioridades (obras) a serem executadas pela empresa. Agora no início de setembro se encerrara o prazo para que a empresa encaminhe à ANTT o projeto das obras indicadas. “A empresa quer trocar o viaduto da entrada principal de Mandirituba, que está no contrato de concessão desde o início que foi firmado e que previa o término dessa obra para agora no final de 2017, com marginais nos dois sentidos da rodovia, por duas trincheiras, uma antes da cidade e outra depois, tirando com isso o acesso principal. Mas a população nos cobra e quer a trincheira no local indicado. Saindo a audiência, vão pedir ali. Está difícil fechar esta questão”, acentua Fernando, acrescentando que o pedágio começou a ser cobrado em 2009 e o início da duplicação em 2012. “Precisamos avaliar isso com cautela, pois a empresa já faturou muito e as obras complementares prometidas nem saíram do papel”, finaliza o edil.

Foto: divulgação PRF