Mandato cassado: Luciane Teixeira e Manir Camargo podem ser afastados definitivamente da Prefeitura de Agudos do Sul

 

A chapa à frente da prefeitura de Agudos do Sul teve seu mandato cassado, em primeira instância, por suposta compra de votos na última eleição. A decisão foi dada pelo juiz da comarca de Fazenda Rio Grande, Thiago Bertuol de Oliveira, na última segunda-feira (17). Luciane Teixeira e Manir Camargo (o “Mano”) têm 15 dias para recorrer, o que acarretará no afastamento definitivo ou não da chapa.

De acordo com o juiz, o crime ficou comprovado pelo depoimento dos policias que presenciaram diversas pessoas pagando o combustível de seus carros com um ticket que, descobriram mais tarde, estava em nome de Manir. Fato que ocorreu no próprio dia da eleição. O relatório da receita estadual também mostrou a quantidade de tickets entregues no nome de Manir como forma de pagamento. Somente no dia 1º (véspera da eleição) cerca de 30 vales foram usados. No dia 2, apenas três.

A partir de agora, Luciane e Manir devem recorrer ao TRE, que julgará o caso e determinará o afastamento ou não. “Se o TRE entender que está correto o nosso raciocínio, feito com base na análise dos autos, a sentença é mantida e leva à cassação do diploma”, afirma o juiz, complementando que, se afastados, os dois ficam inelegíveis pelos próximos oito anos. Assim, quem assume o cargo, incialmente, é o presidente da câmara de vereadores, Jessé Zoellner, até que seja convocada uma nova eleição.

Segundo Oliveira, casos como esse são comuns em todo o estado, porque, infelizmente, a população aceita corrupções como essa. “Enquanto a população se submeter a esse tipo de condição, de vender um dos elementos mais importantes da cidadania, que é o seu voto, o Brasil não pode nem sonhar com um futuro melhor, porque os governantes nada mais são do que o reflexo do seu povo”, frisa o juiz.

Além do pedido decretado pelo juiz, o Partido Progressista (PP), cujo representante disputou a eleição com Luciane e Manir, enviou um pedido para que seja feito o afastamento imediato da gestão, para que eles respondam o processo fora da prefeitura. A câmara de vereadores também está colhendo assinaturas durante esse período de recesso para abrir uma CPI contra a gestora, que teria gasto cerca de R$ 129 mil reais para o conserto de ônibus escolares, sem ter feito antes, uma licitação, o que é regra para gastos acima de R$ 8 mil.

Entenda o caso – No dia das eleições (2 de outubro de 2016), dois policiais militares de São José dos Pinhais, que faziam ronda por Agudos do Sul, auxiliando os outros policiais, viram um movimento estranho em um dos postos de combustível da cidade. Segundo as próprias testemunhas, vários clientes estavam pagando seu combustível com tickets.

Depois de apreenderem os tickets e abordarem o frentista, os policias disseram que a fila de carros para abastecer teria diminuído, o que tornou a situação ainda mais esquisita. A situação foi, então, levada ao Ministério Público, que convocou uma audiência para ouvir as testemunhas, advogados e os réus envolvidos.

Na audiência realizada em 25 de maio, os réus afirmaram que os vales eram usados para fins comerciais. Como Mano é dono do restaurante Copacabana, no município, e fornece marmitas para os funcionários do Posto Milcheski, segundo ele, as empresas tem um sistema de permuta, em que vales-combustível são trocados pela alimentação. A quantidade de vales usados nos dias 1º e 2 de outubro, porém, era maior que a de outros meses, o que comprovou que mais carros teriam feito uso dos tickets.

O Jornal O Repórter tentou entrar em contato com a Prefeitura, mas não obteve êxito.

Por: Dayanne Wozhiak