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O assassino frequentava a casa dele: Mãe de jovem assassinado no bairro Santa Maria, em Fazenda Rio Grande, fala de dor e medo

Segurança é só o que pede a família de Victor Hugo Jarschel Gonçalves, 24 anos, assassinado em Fazenda Rio Grande na madrugada do dia 25 de fevereiro. Os nomes dos envolvidos já foram dados à polícia, mas até o momento, nenhum deles foi levado à delegacia. Segundo a mãe de Victor, dona Arevonilda Jarschel Gonçalves, esse descaso e burocracia causam insegurança em todo o bairro Santa Maria.

Gonçalves levou quatro tiros, sendo três nas costas e um na cabeça. No dia anterior ao crime, sábado (24), ele livrou um amigo de cometer suicídio. Como os dois se desentenderam, a suspeita acabou caindo sobre o rapaz. Amigos, familiares e a polícia estavam em cima do suspeito, mas dona Nilda não queria que alguém fosse preso injustamente.

“Os meninos ficaram furiosos, queriam descer pegar o rapaz. Eu disse ‘calma, as coisas não são assim’”, conta. Ela chegou a procurar o rapaz e ele garantiu que não seria capaz disso. Segundo ela, os assassinos estavam bem em sua frente.

O principal causador da morte, frequentou a casa de dona Nilda na infância. Chegou a ser preso antes. E ela, com a mãe dele, fazia orações na igreja, mandava pela mãe dele sacolas para ela levar à prisão. Victor era capaz de tirar roupas do próprio corpo para dar para outro envolvido.

Tudo começou em uma festa no bairro, para onde foi o jovem no sábado à noite. Sem querer, ele começou a dançar próximo à ex-namorada do principal suspeito no crime, que acabou perdendo a cabeça. Amigos tentaram proteger, mas foram ameaçados de morte também.

Por volta das 4h30 da manhã, dona Nilda e a filha, Indianara, estavam saindo para trabalhar em Curitiba. Elas souberam pelos vizinhos o que tinha acontecido minutos antes, e foram até o local.

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Quando a mãe chegou, ele estava de joelhos e com as mãos pra cima, como se estivesse louvando a Deus. Devota, um dia antes, a mãe estava ouvindo hinos da igreja em casa. “Na hora que subi, Deus já amansava o meu coração”, afirma a mãe.

Ela pediu ao filho que apertasse a sua mão, caso a estivesse ouvindo, e ele apertou. Enquanto orava por ele, conta que os assassinos estavam ali, mas diante do momento, não os enxergou. Foi saber de quem se tratava por volta das 9h da manhã, quando eles já tinham fugido para Pontal do Paraná.

“Eu sofro quando lembro o estado que eu vi ele, mas me alegro porque sei que o senhor salvou. Mas por outro lado, eu fico triste porque eu sei que tem mais jovens que podem passar por isso. Eu não sei amanhã ou depois, se não vai ter mais mortes nesse lugar. E é muito triste você saber disso e não poder fazer nada”, se emociona.

O bairro todo estava desesperado com a violência. A família é muito conhecida pelas redondezas por causa da participação na igreja. E agora o problema é a falta de segurança. Dona Nilda diz que são todos ameaçados. A dificuldade é grande para acordar todos os dias e ir trabalhar. O medo ao ver os filhos e netos irem pra escola também é grande.

Dona Nilda conta que foi na Delegacia na segunda-feira (26) e não foi atendida. Os policiais alegaram que era feriado. Na terça, ela conseguiu registrar a denúncia, levou fotos, nomes, tudo que era necessário. Mas a burocracia impede que a prisão seja feita.

Procurada pela nossa redação, a Polícia alega que não há provas concretas sobre a autoria do crime. Os nomes dados pela mãe não foram confirmados pelas testemunhas levadas a depor, o que dificulta qualquer atuação da justiça. Acredita-se que as testemunhas tenham medo de represálias e por isso não queiram falar. A ex-mulher de um dos suspeitos foi convidada a depor, mas também não confirmou nada.

Morando há 16 anos na mesma casa, dona Nilda diz que está complicado para ir trabalhar. Ela e a filha precisam esperar o ônibus dentro de casa e correr para pegar quando veem que ele está chegando. Tudo por medo.

“Mas se vocês me perguntarem hoje ‘o que a senhora quer desse rapaz, a morte?’ eu não quero, eu quero que Deus permita dele cair numa prisão e que lá dentro dessa prisão ele conheça o Deus que eu conheço e venha a se converter”, conclui.

No fechamento dessa edição, dona Nilda informou à nossa redação que foi demitida do trabalho diante da situação.

Por: Dayanne Wozhiak

 

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