“Nunca perdi a credibilidade”: ex-prefeito de Agudos do Sul Antônio da Luz enaltece curiosidades de seus mandatos

Brincalhão e orgulhoso do legado que vai deixar para a família e para toda Agudos do Sul, assim é Antônio da Luz, que foi prefeito por três mandatos. De origem agricultora e sem pretensão de se candidatar à cadeira na prefeitura, ele conta que foi eleito, em 1982, por meio da parceria.

“Eu percorria o município e pedia o voto pra mim. Se a pessoa não queria votar em mim, eu dizia ‘vote nos meus companheiros’, porque a gente somava. Eu não estava pra tirar voto deles, eu estava pra somar. E foi aí que eles ajudaram a somar pra minha vitória também”, recorda.

Ele diz que, na época, seria candidato a vereador, mas acabou cedendo ao pedido do partido para tentar o cargo no executivo. Para ele, o destino estava traçado. E apesar de temer a derrota, aceitou e fez a sua campanha.

Antônio chegou a prometer para a população, que mataria um boi e faria uma festa caso fosse eleito. Há quem diga que, na apuração dos votos, que ainda era em São José dos Pinhais, ele ficou nervoso ao perceber que tinha ganhado a eleição, porque não tinha dinheiro para cumprir a promessa.

“Eu saí andando, e o pessoal me cumprimentando: ‘e o boi?’, eu disse ‘eu vou voltar e vou lá reunir meus companheiros pra nós fazermos uma vaquinha pra comprar o boi’”, lembra, todo animado.

No fim, ele não voltou pra festejar. Foi para Agudos depois de três dias e quando chegou, disse foi uma grande festa. Todos os foguetes da cidade foram comprados e tiveram que ir a Joinville buscar mais. A população também se esbaldou na cerveja.

Depois de 15 dias, a conta da festa chegou para Antônio da Luz. “Sorte a minha que eu tinha uma roça muito grande de batata salsa pra pagar a conta do pessoal”, diz.

Leia mais:

56 anos de Agudos do Sul

Cidadão Honorário de Agudos do Sul fala de seu trabalho voluntário

Antônio da Luz à frente da prefeitura

Quando assumiu a prefeitura, Antônio teve que declarar estado de calamidade pública. A chuva que não dava trégua por seis meses, complicou a situação nas estradas e a dificuldade aumentou. Mas as conquistas chegaram aos poucos. Foi ele quem levou para Agudos do Sul o transporte escolar.

“Tinha uma escola particular de segundo grau aqui, mas não era reconhecida pelo estado. As pessoas estudavam até a 4ª série no interior e depois tinham que deixar o estudo ou ir embora pra outra cidade, pra continuar os estudos”, disse. Por não ser reconhecido, o colégio particular não podia dar diplomas aos alunos. Por isso, seu Antônio achou que devia fazer alguma coisa.

Conveniado com uma escola pública de Mandirituba, decidiu que mandaria os alunos de Agudos pra lá, para se formarem e conseguirem o diploma. Mas para isso precisaria de um ônibus. Conseguiu, com o governo, uma troca: daria uma Kombi a outra cidade e ganharia um micro-ônibus para transportar os jovens até a nova escola. Foi aí que começou o transporte na cidade.

Mais que isso, Antônio da Luz trabalhou para estadualizar a escola particular, para facilitar o acesso aos estudantes e também permitir que o diploma fosse concedido, por direito. Antônio lembra ainda que foi responsável por diversas obras no município, incluindo novas escolas no interior da cidade.

E o reconhecimento veio. Em outubro de 2017, ele recebeu o título de cidadão honorário do município, o que pra ele é uma honra ainda maior, já que foi graças ao trabalho que realizou quando era prefeito.

“Do jeito que estão nossos políticos, que não tem mais credibilidade, são muito poucos os que tem esse privilégio de um reconhecimento de trabalho. Foi com dignidade, com seriedade e respeito que me concederam esse título.”

Por: Dayanne Wozhiak