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Arteris bloqueia desvio de pedágio entre Mandirituba e Fazenda Rio Grande e revolta vereadores e população

Moradores reivindicam a abertura do acesso no km 143, em Fazenda Rio Grande

Manifestantes bloquearam totalmente a BR-116, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, na manhã deste sábado (7). Eles reivindicam a abertura de um acesso que foi fechado no km 134 pela concessionária Arteris Planalto Sul, que, segundo os moradores, alterou a linha de ônibus – que não passa mais pelo local. Por volta das 9h30, o tráfego foi liberado em ambos os sentidos.

Os participantes do protesto solicitaram a presença da concessionária para a abertura e informaram que, caso as demandas não sejam atendidas, vão interditar a rodovia diariamente. Policiais rodoviários federais foram até o local, com interdito proibitório em mãos – mecanismo processual de defesa utilizado para impedir agressões que ameaçam a posse de alguém. A Justiça havia determinado que a manifestação só poderia bloquear 50% da pista, o que não chegou a ser atendido pelos manifestantes.

Fechamento

De acordo com a PRF,  a Planalto Sul cumpriu nesta semana uma obrigação prevista no contrato da concessão, em relação ao fechamento de acessos irregulares na BR-116.

A concessionária afirma que o trecho é considerado um ponto crítico em razão dos acidentes que ocorriam com frequência no local. Desde 2009 foram registrados 28 acidentes na região, inclusive com o trânsito de veículos na contramão. saiba mais aqui

Moradores e líderes políticos de Mandirituba protestam pelo recente fechamento da saída para a BR-116. O bloqueio foi realizado pela Arteris sem o consentimento do executivo, legislativo, ou mesmo de todos os moradores do município. Na última terça-feira (3), alguns munícipes foram até a câmara para mostrar seu descontentamento e discutir alternativas.

O assunto não foi outro. Rapidamente os vereadores apresentaram os assuntos do dia, mas aproveitaram os minutos seguintes para falar de sua indignação com o assunto e também se propor a ajudar no que for necessário.

O presidente da Casa, Guilherme Chuppel, disse que tentaria contato com a Arteris e com o prefeito Marcio Wozniack. Segundo ele, como a região bloqueada faz parte de Fazenda Rio Grande, eles não podem interferir por conta própria e é preciso, portanto, somar esforços. Ele ainda convidou membros da comunidade para se engajar à causa e participar das reuniões. “Se a gente não se unir, se ficarmos quietos, vai ficar fechado, pode ter certeza!”, destacou.

O vereador Bernardo Palú reclamou da dificuldade que Mandirituba tem em conseguir parcerias com empresas para se instalarem no município, o que se deve ao pedágio. E ressaltou que com o desvio, havia uma alternativa. Sem ele, será mais difícil ter empresários interessados.

“Essa estrada é mais antiga que a própria rodovia BR-116 e quem a utilizava para ir para Curitiba não estava cometendo qualquer crime, qualquer legalidade de trânsito. Então não se justifica esse fechamento”, disse Palú durante a sessão. Segundo ele, a única desculpa para isso é o lucro da concessionária, que poderia estar comprometido com o desvio do pedágio. Ele alegou ainda que conversou com colegas da Polícia Federal e que a ordem não teria vindo de lá.

Em contato com a nossa redação, a assessoria de imprensa da Arteris informou que o contrato de concessão estabelecia o fechamento de vias irregulares. Também alegou que moradores próximos à estrada solicitaram esse bloqueio e agradeceram por terem o executado. Outra justificativa foi a segurança no trecho. Desde 2009, segundo eles, foram 28 acidentes registrados.

“Este era um acesso irregular utilizado de forma irregular. Ponto crítico de acidentes. Foi fechado por questões de segurança e conforme norma. A concessionária já tinha recebido uma demanda da PRF para este fechamento, inclusive previsto no nosso contrato. A comunidade continua tendo sua mobilidade, agora pelo viaduto do Veneza. Assim como alguns moradores reclamaram do fechamento, outros o pediam devido ao excesso de pó”.

Ainda durante a sessão em Mandirituba, cerca de cinco moradores falaram no plenário. Um deles, o autônomo Paulo Ramos, que é morador da região onde foi realizado o bloqueio, disse que passa diariamente pela situação de excesso de pó na estrada. Mas também alegou que dependia do desvio para trabalhar. Por isso, ele não esperava pelo fechamento, mas sim, por uma solução em relação à poeira.

“Se a gente levar em consideração a falta de respeito que a Arteris tem com o município de Mandirituba, é impressionante. Eles chegam e metem o guardrail na frente dos comércios, na frente das propriedades centenárias aqui da cidade. Você chega e não tem saída. O pessoal não pode utilizar nada na beira da estrada”, disse.

Rafael Campaner, vereador de Fazenda Rio Grande, foi até lá para oferecer ajuda e disse que em contato com a população que reside nas proximidades, soube que nenhum deles queria esse fechamento, apenas acabar com o pó. Também se colocou à disposição para trabalhar em conjunto por uma solução.

O vereador Diego Carvalho ressaltou que apesar do aumento recente no pedágio, nenhuma melhoria foi feita na BR nos últimos meses. Fernando Teixeira disse que, tratando-se de uma estrada municipal, a Arteris não poderia interferir, já que tem competência para intervir somente na rodovia.

 

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