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Crianças e adolescentes de Mandirituba, que estudam em São José dos Pinhais, correm o risco de ficar sem ir à escola por falta de transporte

Vereadores de Mandirituba e o deputado Antônio Wandscheer foram até a prefeitura de São José dos Pinhais na última terça-feira (6) para conversar sobre um problema que estão enfrentando alguns estudantes. Os alunos moram em colônias que fazem parte de Mandirituba, mas por estarem próximos ao outro município, estudam na Colônia Marcelino, em SJP. O transporte escolar, até então, tem sido feito pela prefeitura de São José. Mas um impasse com o Ministério Público, quer acabar com isso.

São mais de 170 crianças que não terão como se deslocar até a unidade de ensino, caso o as prefeituras de São José dos Pinhais e Mandirituba não entrem em um acordo. O problema é grande. Segundo o prefeito de Mandirituba, Luis Antonio Biscaia, legalmente, nenhuma das prefeituras pode ter um ônibus escolar e gratuito circulando em outro município.

“Neste ano, nenhum professor, vereador, pai de aluno, nenhum aluno me procurou sobre o transporte. Porque todos eles sabem que no ano passado já não foi feito, porque é irregular. Tivemos várias denúncias no Ministério Público sobre isso”, explica, até mesmo sobre o fato de ter enviado uma secretária em seu lugar na reunião em SJP. Ele alega que foi avisado pela assessoria de um deputado e que já tinha outros compromissos.

mandirituba transporte escolar

O prefeito de São José dos Pinhais, Toninho Fenelon, explica que essa atitude foi tomada na intenção de não ter problemas futuros. Segundo ele, a gestão tem uma grande responsabilidade de não tomar decisões precipitadas.

“Se houver bom senso entre nós e o prefeito de Mandirituba, acredito que a gente pode chegar num entendimento pra que a médio prazo, quem sabe, a gente resolva em definitivo essa situação. Mas que pelo menos nesse momento, nesse ano que já iniciou, a gente possa chegar num entendimento pra que essas crianças e essas famílias não sejam prejudicadas”, diz Fenelon.

De acordo com o vereador de Mandirituba, Fernando Teixeira, os parlamentares foram acionados pelos moradores das colônias Retiro, Lima, Matos e Campestrinho para tentar resolver o problema. A informação foi que São José dos Pinhais não forneceria mais o transporte. Com isso, a reunião foi marcada.

“Foi uma conversa muito boa. O prefeito de São José se pôs à disposição de colaborar da maneira que pode. Vamos conversar agora com o nosso prefeito Luis Antonio. Tenho certeza, ele tem uma boa intenção também de resolver esse problema”, diz.

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Alternativas

Para os pais, a possibilidade de colocar os filhos para estudar no centro não existe. “É bem mais longe. Ali as crianças estão do lado da escola e Mandirituba não suportaria todas essas crianças agora”, afirma a mãe Priscila Lecheta. Ela diz que tentou uma vaga em Mandirituba, para o filho de 13 anos, e só conseguiu no período da noite. “Uma criança de 13 anos estudar à noite?”, reclama.

priscila lecheta mandirituba sjp

A secretaria de Educação de Mandirituba, Maraci Nickel, comentou que essa dificuldade em conseguir vaga para o turno desejado, deve-se ao momento. “Quem deixa pra fazer a matricula no início do ano letivo, às vezes não consegue no turno que quer, mas a vaga é disponível, sim”. O prefeito de Mandirituba disse, inclusive, que teve que fechar três turmas e dispensar funcionários nesse ano por falta de alunos.

Além disso, o executivo se diz chateado com quem diz que a educação do município não tem qualidade e, por isso, tem que buscar ensino em outra cidade. Segundo a secretária, a gestão tem investido em capacitações para todos os funcionários, livros para as escolas e, nesse ano, também dará kits escolares e uniformes para todos os alunos da rede municipal.

“Alegar que aqui não tem qualidade de ensino é uma inverdade. Isso nos deixa muito magoados. Tem vereador falando que a escola não tem estrutura. A gente entende que tem uma escola aqui que a gente tá batalhando, que não tem uma estrutura adequada. Mas desde o início do ano o Prefeito Luis Antonio correu atrás da construção de uma nova unidade escolar estadual, ela já está empenhada. Tudo que podia ser feito, está tudo ok”, afirma.

Com relação aos alunos que moram próximos à divisa, Biscaia explica que já está em tratativas com o prefeito de SJP e que tentará resolver o problema. Sobre os jovens que moram no centro da cidade e vão até o outro município estudar, ele diz que não pode fazer nada. “Esses alunos que moram ali no Retiro, que são mais próximos do Marcelino, a gente vai tentar e vai conseguir o transporte pra eles, com certeza. Mas friso: eu não vou e não consigo perante à lei fazer transporte de todo o município até lá. Até porque temos colégios aqui, sobrando vagas. Tem matrícula pra todo mundo”, declara.

A secretária Maraci lembra também que não se trata de falta de vontade, mas sim, o cumprimento de uma determinação legal: “Legalmente esse transporte não pode ser feito. Quero que fique muito claro que a gente não está deixando de prestar um serviço. Nós estamos prestando o serviço que é de nossa responsabilidade.”

Por Dayanne Wozhiak

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