Agricultura: a principal fonte de renda de Tijucas do Sul

Fortemente marcada pela agricultura, Tijucas do Sul é terra de diversos plantios. De acordo com dados de 2010 do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a atividade econômica com mais pessoas envolvidas no município é a agricultura, com mais de três mil trabalhadores no setor.

Correspondendo de 5 a 8% da economia local, o plantio de cogumelos é uma das alternativas escolhidas pelos produtores tijucanos. A família Brito, por exemplo, chegou a morar em Lisboa (Portugal), mas conseguiu unir em Tijucas a necessidade de uma fonte de renda e o sonho de uma vida simples e campestre, investindo no champignon.

Ao todo, 60 famílias trabalham com a mesma cultura e fazem parte da Coopertijucas – Cooperativa dos Produtores de Cogumelo, onde os produtos são embalados e enviados para a venda. De acordo com o pai da família Brito, o Sergio, que começou a investir no projeto há cinco anos, cerca de 180 trabalhadores indiretos vivem atualmente desse setor em Tijucas do Sul.

Em sua casa, trabalham ele, a esposa e o casal e de filhos. Um dele é o jovem Gabriel, que diz que não se imagina trabalhando em outra coisa e que pretende fazer uma faculdade de agronomia, para poder se aperfeiçoar no negócio e crescer com ele. Ele gosta do trabalho que faz.

“Eu não precisei migrar para a cidade como muitos jovens para procurar meu emprego, estou aqui em Tijucas, faço meus horários. Não são todos os dias que tem serviço. E dá pra viver bem disso, é um negócio bom”, aconselhou. Questionado quanto à possibilidade de voltar para Portugal, São Paulo outra cidade grande, ele disse que não tem intenção. “Não troco Tijucas por nada”.

 

O rei do repolho

Outra agricultura forte no município é a do repolho. Famosa pelo plantio, a família Rendaki já tinha contatos e trabalhava com a verdura em São José dos Pinhais, mas por falta de terrenos na cidade, ouviu a recomendação de um amigo e resolveu tentar a vida em Tijucas do Sul, já com clientes definidos.

“Eu vim de São José com esse mercado certo. Por isso que quando eu cheguei, fui até a prefeitura e pedi um auxílio de estrada para chegar até aqui, que não tinha, porque eu ia vir para ficar, não era apenas uma aventura”, comenta o patriarca Jonacir José Rendaki.

Ele e a esposa administram ao todo 250 mil pés de repolho e mais pés de brócolis americanos, que hoje correspondem a 50% da produção das terras. Mas eles também colocam a mão na massa. Acordando às 6h da manhã, eles pegam pesado no trabalho e seguem até às 20h. Já os quatro funcionários que ajudam o casal, saem por volta das 17h30, segundo Rendaki.

O resultado é a exportação dentro e fora do estado. As verduras são enviadas para Curitiba e região metropolitana e também para Santa Catarina, onde outra empresa distribui os produtos por diversas cidades.

É aí que a economia gira. “A gente vende tudo 100% com nota. Nada sai daqui nem nota. E isso está ajudando o município. Eu tenho também o prazer de gastar dentro da cidade, desde insumos, que eu dou prioridade para as lojas daqui, até mercados. Então a gente acaba girando”.

Hoje tijucano de coração, ele diz que nem pensa em voltar para São José. O clima favorável e as terras de Tijucas do Sul, conquistaram a família que conseguiu se manter e se consolidar como uma das principais referências do repolho na região.

 

Morango

Nascido e criado em Tijucas, Pedro Garcia que já foi vereador por três mandatos, iniciou o plantio de morangos há quase cinco anos. Outro ponto alto do município, os morangos são fonte de renda para muitas das famílias, assim como do seu Pedro, que diz que não pretende trocar o serviço tranquilo em casa para ser funcionário de alguém.

“É um plantio de pouca terra. 10 mil pés de morango cabem em três, quatro litros de terra. Outras plantas, para esse tanto de terra, não dá. E fica mais fácil de cuidar, porque fica perto de casa. Serviço longe, pra idade da gente já fica mais difícil”, comenta.

Além dele, duas irmãs e outros três funcionários esporádicos ajudam da produção que é enviada à Ceasa de Curitiba e a Joinville, em Santa Catarina. Em tempo de colheita, são cerca de 400 caixas de morango, com base no que foi colhido duas vezes na semana. Quanto aos insumos, ele prefere os orgânicos aos agrotóxicos.

Questionado sobre Tijucas do Sul, ele acredita que o carro-chefe, a agricultura, tem que receber incentivo. “É um município agrícola, que a gente tem que incentivar para arrecadar rendas. Porque não tem indústria aqui. Então a gente tem que se agarrar ao que tem perto da gente!”, conclui.

Por: Dayanne Wozhiak