A apresentação de uma quantidade excessiva de atestados médicos gera uma investigação na Câmara de Fazenda Rio Grande

Por: Dayanne Wozhiak

Os vereadores de Fazenda Rio Grande, solicitaram, na última sessão da Câmara, a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar fatos relacionados ao número excessivo de apresentação de atestados médicos pelos funcionários da rede municipal, em especial os da secretaria de saúde. Isso porque, segundo os parlamentares, não é de hoje que alguns dos médicos da rede pública apresentam, mensalmente, uma quantidade elevada de atestados, faltando ao trabalho em aproximadamente metade dos dias de sua escala.

De autoria dos vereadores Julinho do Pesque, Rafael Campaner, Dudu Santos, José Vicente Tuzi e Marco Marcondes, o documento foi aprovado por unanimidade na sessão. Ele segue agora para nomeação dos vereadores que farão parte da comissão e, posteriormente, começam as investigações.

“Juntamente com os vereadores, decidimos que temos que fazer uma CEI, temos que mostrar de quem é a culpa; aqueles que estão em uma escala e, sem pensar nem nos companheiros de trabalho e nem na população, simplesmente levam um atestado. E o médico tem essas facilidades, porque os amigos são médicos também”, disse o presidente da Casa, Julinho Teodoro, durante a discussão do documento.

Ele citou ainda o caso de um profissional que esteve afastado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por vários dias e, nesse período, trabalhou em outro local, tanto que deu um atestado médico a outro servidor público. O vereador explicou que trata-se de um crime, considerando que, por estar afastado, ele não podia trabalhar e nem mesmo atestar outro servidor.

Outro parlamentar a falar foi Rafael Campaner. Ele disse que o debate desse assunto pode colaborar para que problemas como esse deixem de acontecer e que essa é a intenção da Câmara. “Estamos propondo essa investigação para que sejam de uma vez investigados e se tiver algum problema, o Ministério Público estará aí para tomar as devidas providências. Caso não tenha, a população estará ciente. E mesmo assim, continuaremos a cobrar medidas para que o povo seja atendido como deve ser”, comentou.

Campaner disse ainda que os profissionais em questão chegam a apresentar cinco, seis atestados no mês. Isso levando-se em conta que, nas escalas, os médicos trabalham o equivalente a 14 dias no mês. Desse modo, eles acabam faltando metade dos dias de trabalho. E a culpa, segundo o vereador José Vicente Tuzi, cai para outras pessoas, até mesmo os vereadores. “A população cobra que não tem médico. Mas eles mandam atestado e faltam, aí a população precisa de atendimento e não é atendida”, falou Martuzi.

“Essa investigação vem a calhar para mostrar quem é quem. Porque tem muito médico bom trabalhando em Fazenda Rio Grande. Não podemos esquecer disso. São dois ou três que estragam o andamento do município, o andamento da UPA”, completou o vereador Professor Marlon, lembrando que em alguns dias, a UPA funciona bem, com a quantidade certa de médicos, o que indica o comprometimento de alguns dos profissionais.

O irmão José Miranda também lamentou a falta de responsabilidade dos médicos em questão, já que há muitas pessoas que realmente precisam do serviço. Em alguns dias, segundo ele, como foi o caso do último domingo (1º) a unidade fica lotada devido à ausência de alguns profissionais. No domingo, havia um médico, sendo que a escala determinava três ou quatro.

Revoltado, Miranda ainda comentou que os profissionais são muito bem pagos para exercer o seu papel. “Eles não estão trabalhando de graça, estão sendo remunerados, estão sendo muito bem pagos e por que não atender a população? Por que tantos atestados?”, disse Miranda. O colega Marco Marcondes lembrou, logo depois, o assunto do salário. “O servidor público que mais ganha em nosso município é o médico, então o mínimo que deveriam ter é dignidade em prestar um serviço de qualidade à população. Deveriam ser exemplo de profissionalismo”, comentou Marcondes.

Dudu Santos ressaltou o trabalho do secretário de Saúde, Rejomar Andrade, que apesar das dificuldades, tem se desdobrado em diversos projetos de melhoria do setor. “Não se pode tampar o sol com a peneira, mas é importante ressaltar o trabalho do secretário”, disse. Ele ainda comentou que todos têm direito de ficar doentes, mas que a quantidade de atestados apresentada é realmente excessiva.

O vereador Delegado Fábio Machado também falou do dinheiro público, que está sendo gasto com esses profissionais, sem que eles sequer compareçam ao trabalho. “Como vamos fazer para separar o joio do trigo, se não mostramos o limite para aquela pessoa que não entende que o dinheiro público tem que ser usado com moralidade, que o direito dele vai até onde seja moral?”, conclui.