56 anos de Agudos do Sul: histórias que antecedem a emancipação

Agudos do Sul completa 56 anos nesse fim de semana. Instalada oficialmente em 18 de novembro de 1961, a cidade foi inicialmente a vila de Agudos, mas ganhou o título de município pelo crescimento populacional. Famílias tradicionais vieram de todas as partes, para ajudar a formar o que hoje é Agudos, uma cidade pequena em extensão, mas grande em histórias para contar.

O vereador José Pires de Oliveira, o Zézo, que foi também prefeito, faz parte da 7ª geração de uma família tradicional no município, a família Alves Pires. Segundo ele, o que não faltam são histórias de Agudos do Sul. A revolução federalista, inclusive, que começou no Rio Grande do Sul e invadiu Tijucas do Sul, também passou por Agudos.

Segundo Zézo, havia dois irmãos coronéis no município, o Cândido Benedito Alves e o José João Fagundes, ambos filhos de João Alves Pires, que veio de Portugal e deu início à família do vereador em Agudos. Na época em que as tropas lideradas por Gumercindo Saraiva estavam à procura de pessoas que fossem da oposição, o coronel José se escondeu na casa do irmão, nas serras do Ribeirão Grande.

“Aqui, até 1945 era Carijós, e não Agudos. Inclusive o meu nascimento constava como Carijós. Daí passou a ser Agudos por causa do morro Agudos. Os carijós ficavam do lado do morro e Agudos era mais em Ribeirão Grande, onde tem cemitérios. Tanto que cada um dos coronéis fez um cemitério. O coronel José João Fagundes fez o cemitério de Agudos e o coronel Cândido Benedito Alves fez o de Ribeirão Grande”, conta o vereador, lembrando que o túmulo de Benedito Alves está no cemitério de Ribeirão, junto a uma lápide contando sua história.

Zézo diz ainda que chegou a conhecer a igreja que tem as marcas de uma bala de canhão e os palmitos também com furos de bala. Marcas deixadas pela Revolução Federalista. Mas lembra também que graças a um chefe de registro de imóveis de São José dos Pinhais, que era primo de seu avô, nada aconteceu pela capital. O tal Nenê conseguiu fazer com que a paz reinasse novamente na região. Depois, Saraiva foi morto na Lapa quando se escondeu, após o fim da guerra.

João Alves Pires também teve nove filhas, além dos coronéis. Na época, porém, as mulheres perdiam as assinaturas ao se casarem, de modo que a família se espalhou entre tantas outras tradicionais no município, como Castilha, de Souza, família Ribas de Guarapuava, entre outras.

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Já na revolução de 30, quando Getúlio Vargas assumiu a presidência, Zézo diz que as tropas também passaram pelo município. Como a ponte de Fragosos tinha sido derrubada, eles usaram a ponte do Tarumã. Chegando em Agudos, para seguir para São José dos Pinhais, eles confiscavam tudo que pertencia às famílias. “Meu avô foi o primeiro funcionário público de Agudos, ele era coletor de impostos na época. Ele tinha um carrinho e eles deixaram com ele, mas o restante eles confiscaram”, lembra.

Quanto à emancipação do município, ele lembra que, dez anos após emanciparem Tijucas do Sul, o pessoal, mais precisamente o partido PSD, começou a trabalhar para separar Agudos também. Entre os nomes citados pelo vereador nessa luta, estão o próprio pai dele, que era delegado, além de Octacílio Zoellner, Afonso Zoellner e o deputado federal Accioly Filho.

Após a emancipação, Agudos teve dois prefeitos. O primeiro foi nomeado por Moysés Lupion, era Giocondo Dal Stella, que teve muitos votos como vereador e era coletor/fiscal de renda na época. Após 18 de novembro de 61, data em que o município foi oficialmente instalado, houve uma eleição e o prefeito escolhido foi Francisco Ribeiro de Freitas. Começou aí, uma história que ainda vai longe.

Por: Dayanne Wozhiak